quarta-feira, 24 de julho de 2013

Para onde caminham os enchidos portugueses?

No site life&stylegastronomia do Púbico, podemos ler hoje um artigo sobre o livro "Sabores do Ar e do Fogo", da autoria de Fátima Moura e fotografia de Mário Cerdeira. 

Deixamos-lhe alguns extratos do artigo, onde por várias vezes é referido o porco bísaro:
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Para onde caminham os enchidos portugueses?

Enchidos de qualidade - e de personalidade. Portugal tem, por tradição, uma imensa variedade de produtos derivados do porco, seja do bísaro, a Norte, ou do ibérico, a Sul. Alguns atingiram a excelência, outros correm o risco de desaparecer. Mas há espaço para a inovação, diz Fátima Moura, que acaba de lançar Sabores do Ar e do Fogo.
Já ouviu falar da farinheira de Monchique? É um enchido que parece vindo da Idade Média, ensacado num pano de lençol branco e cosido com linha de algodão. É feito com carne de porco de raça alentejana, do qual se usam o sangue e as carnes magras, e a que se juntam farinha de milho e especiarias. Tem uma cor escura e um gosto a canela.
"Temos enchidos saborosíssimos que a maior parte das pessoas não conhece", diz Fátima Moura, que acaba de editar o livro Sabores do Ar e do Fogo, com "os contributos inestimáveis" do coordenador José Quitério, do fotógrafo Mário Cerdeira, que assina todo o trabalho fotográfico e acompanhou toda a aventura, e dos CTT, responsáveis pela edição. "Esta farinheira de Monchique tem uma produção totalmente artesanal e em quantidades mínimas. Há o risco de que coisas como estas se percam."
Fátima, que é também autora do blogue Conversas à Mesa, andou dois anos, de Norte a Sul do país, atrás de porcos e das histórias a eles ligadas. "O porco tem uma importância cultural muito grande, sobretudo em certas regiões do Norte." Aí, conta, "os porcos viviam praticamente em casa, e eram criados pelas mulheres". Por causa dessa ligação - diz-se que se alguém sentir pena do animal, a carne não sai tão boa - estas estão geralmente ausentes no momento da matança (à excepção de uma, que segura a vasilha onde é recolhido o sangue).
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Apesar disso, foi no Norte que o porco bísaro, uma das raças portuguesas (juntamente com o porco alentejano, mais conhecido como porco preto, embora esta não seja a designação correcta), esteve próximo da extinção. Os cruzamentos que se fizeram nas décadas anteriores com raças mais comerciais, para aumentar a produção - e também porque a carne mais rica em gordura foi sendo substituída nas mesas por carnes magras como o frango ou o peru - puseram em risco as raças autóctones. Com isso, explica a autora, "a carne de porco foi-se tornando cada vez mais magra, e nem se conseguia fazer enchidos com ela."
Mas o bísaro, que é uma raça do tronco celta, foi recuperado nos anos 1990 pela Associação de Produtores "a partir de umas dezenas de animais que encontraram numas pocilgas escondidas". Hoje, porco bísaro é sinónimo de qualidade e a carne destes animais é cada vez mais procurada, embora, escreve Fátima, "poucos são ainda os portugueses que, mesmo em Trás-os-Montes, identificam um porco branco e/ou cinzento-escuro, de grandes orelhas penduradas, cabeça comprida e marcha desajeitada, cerdas grossas e compridas, que nos lembram a sua descendência do javali, como sendo o bísaro". E, alerta, seria bom que a produção fosse feita mais em regime extensivo, porque a maioria dos animais continua ainda confinada a pocilgas.
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Mas, apesar de nobres, os presuntos são apenas um exemplo do que se pode fazer com a carne de porco. E se aqueles contam uma história de preservação, e de como essa preservação revela novas potencialidades num alimento, os enchidos contam uma história de um país pobre, onde, com grande imaginação, tudo se aproveitava de um porco depois da matança.
Há-os de muitos tipos. Os de sangue, como a chouriça de sangue de Melgaço, um produto IGP feito com "carnes ensanguentadas e gorduras de bísaro, ou cruzado com este, sangue, vinho verde, cebola, alho, sal, pimenta, coloraus e cominhos". Ou as de carne, de Vinhais e Barroso-Montalegre (IGP). Ou o salpicão do lombo, que leva as carnes magras mais nobres, temperadas com alho, sal, vinho verde e colorau (Fátima destaca, pela sua popularidade, o salpicão da serra d'Arga ou o de São Lourenço, e o de Vinhais, também IGP, que só pode ser feito com bísaro).
Há os enchidos em que se usa a farinha e o pão - e temos aí todo o universo das tão populares farinheiras e alheiras. E os enchidos doces, com açúcar e mel, como as morcelas e as chouriças doces. Mas há também os buchos, em que é o estômago do animal (que pode ser porco, cabra ou carneiro) que é recheado com "variações infinitas, desde as mais humildes às mais ricas". E, dentro destes, um subgénero como os maranhos, recheados com arroz, e servidos cozidos e cortados às fatias, acompanhados por nabiças ou grelos.

Renovar a tradição

Apesar de toda a defesa que faz da tradição, Fátima insiste numa ideia: "A melhor forma de manter a tradição é ir adaptando-a. Se não, ela acaba por morrer." Apesar de saber o quanto as pessoas são agarradas à tradição, no último capítulo do livro autora arrisca algumas propostas que transformam receitas clássicas em versões modernas dos mesmos pratos, com outra apresentação e, garante, o mesmo gosto.
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"Se não for renovada a tradição morre", repete Fátima Moura. É importante, por exemplo, conseguir reduzir o sal nos enchidos, defende. E lembra que até o butelo (enchido à base de ossos, de Trás-os-Montes), foi evoluindo de uma versão muito pobre, quase sem carne, para a actual versão, com bastante carne.
É preciso, no entanto, manter algumas das especificidades, defende. "Em relação ao presunto alentejano, dominamos completamente a técnica. O que temos é que lutar para manter as características do nosso presunto transmontano, que é muito diferente do do porco ibérico." É um presunto que habitualmente se comia em nacos e não em fatias finas, como se tornou hábito com o porco ibérico e com as técnicas de corte usadas em Espanha.
"O tipo de presunto espanhol impôs-se muito entre nós e no mundo inteiro." Mas Fátima entende que, em vez de ir atrás dele, o presunto transmontano deve assumir a sua identidade própria, a sua carne mais fibrosa. Mas para que isso aconteça é essencial que os restaurantes locais o assumam também, com orgulho, na cozinha regional, não o querendo transformar numa imitação do seu primo do Sul.
Esta é, portanto, uma luta pela identidade e a especificidade dos enchidos e derivados do porco portugueses, por uma relação com o animal que é profundamente cultural, mas é uma luta que, na opinião de Fátima, tem que se travar aceitando que, no processo, algumas coisas podem - e devem - ser mudadas. "A tradição é sempre o resultado de uma evolução", conclui. "Se ainda comêssemos à moda do século XVIII estávamos cheios de gota."

quinta-feira, 11 de julho de 2013

A. Montesinho e Bísaro Salsicharia no Verão Total RTP 2013

Na passada terça-feira, participámos no programa Verão Total, transmitido em direto na RTP1, apartir da aldeia de Montesinho.

Apresentámos a nossa nova gama de produtos de porco bísaro, criado em campo, que suscita, cada vez mais interesse por parte dos nossos clientes.

A entrevista foi conduzida por Isabel Angelino e Jorge Gabriel. 
Se não teve oportunidade de assistir à nossa participação, pode ver agora através do youtube:

 

Agradecemos a toda a produção da RTP1, a forma como fomos recebidos e toda a receptividade  Parabéns à RTP por este excelente programa, que permite aos portugueses conhecerem um pouco melhor o interior de Portugal.

sábado, 6 de julho de 2013

17.ª Feira de Artesanato da Maia


O artesanato é uma das facetas mais interessantes da ruralidade maiata. Ele respondeu às necessidades imediatas, comuns, do dia-a-dia, das populações, em tempos em que a indústria ainda não se tinha desenvolvido o suficiente para colocar os seus produtos nos meios rurais a preços acessíveis.
Como porém o homem cedo se preocupou em deixar uma marca estética no que lhe sai das mãos, depressa os produtos artesanais começaram a ganhar uma dimensão que transcende o simples utilitarismo e a ser testemunho simultaneamente de valores etnográficos ancestrais e da capacidade criativa do homem rural.


Hoje, apesar do declínio evidente da maioria das atividades artesanais, valorizaram-se muito os seus produtos, alguns dos quais alcançaram um verdadeiro estatuto de "must", como é o caso das nossas imagens de santos em madeira, mundialmente reconhecidas.
Atualmente, existe a consciência generalizada de que é necessário preservar este legado de gerações. È com esse espírito que temos vindo a desenvolver um longo e árduo trabalho em prol do artesanato da Maia, convictos de que é essencial fazer ainda mais e melhor, para que algumas destas artes não se venham a perder.

A realização de Feiras de Artesanato é, seguramente, um bom caminho e um contributo positivo quer para a defesa e valorização do artesanato e dos milhares de microempresas e produtores artesãos que se aplicam na sua manufatura como é um incentivo a que o artesanato regional e nacional encontrem também caminhos para a sua qualificação. Este é um dos setores onde o local e o regional podem travar o passo ao global descaraterizador e falsamente uniformizante, contribuindo para a criação de muitas pequenas empresas e muitos postos de trabalho. 

17.ª feira de Artesanato da Maia

Assim, pretendemos que durante a "17ª Feira de Artesanato da Maia" a realizar do dia 6 a 15 de julho de 2013, a Maia seja ponto de encontro de perto de duas centenas de artesãos de todas as regiões portuguesas e um forte contributo para a animação da cidade.
O evento do ano passado contou com 180 participantes e foi visitado por 211.598 pessoas. A presença maciça mostra a importância do acontecimento para as entidades ligadas ao artesanato. O certame propícia a troca de experiências e a possibilidade de mostrar e vender o trabalho desenvolvido ao longo do ano.
O programa de animação é intenso e privilegia a música tradicional portuguesa, todas as noites pelas 21.30h é possível assistir aos espetáculos musicais, destaque ainda para o dia da família e da criança que terão lugar nos dias 6 e 13 de julho (sábado), durante a tarde, com atividades para os mais pequenos, insufláveis, ateliers, póneis, atuações de teatro, música e dança. 

A novidade desta edição será o Espaço Kids que funcionará durante todo o evento no relvado do Parque Central, com um parque temático para os mais pequenos.

O certame estará patente ao público no Parque Central da Maia, de segunda a quinta das 18.00H às 24.00H, sextas 18.00H à 01.00H e aos sábados das 15.00H à 01.00H, domingos e feriado municipal (15 de julho) das 15.00H às 24.00H.

Como já é tradição, a Bísaro | Salsicharia Tradicional vai marcar presença neste certame. Venha fazer-nos uma visita e delicie-se com as iguarias transmontanas.
Mais informações sobre a feira em:



sábado, 29 de junho de 2013

Festa do campo junta milhares em Lisboa

O Terreiro do Paço recebe a 5.ª edição do Mega Piquenique Continente. "Venha aprender tudo o que o campo tem para ensinar sem sair da cidade" é o desafio organizado por esta cadeia de hipermercados e lançado às famílias, que podem contar, mais uma vez, com Tony Carreira como anfitrião musical.
Tal como nos anos anteriores, são esperados ao longo deste dia meio milhão de visitantes.
mega pic nic bísaro

mega pic nic bísaro

mega pic nic bísaro

mega pic nic bísaro

mega pic nic bísaro

A Bísaro S.T. está presente neste mega evento, com um stand de petiscos e venda de produtos, e ainda com 10 porcos de raça bísara, provenientes da exploração Quinta do Bísaro.
Leia algumas notícias sobre o megapicnic:
Correio da Manhã: 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Livro raças autóctenes portuguesas

A DGAV lançou, no âmbito da 30.ª OVIBEJA O livro "Raças Autóctones Portuguesas" foi lançado no passado dia 27 de Abril, pelas 15 horas, no Auditório do Nerbe, no âmbito da realização da 30.ª OVIBEJA.
livro raças autóctenes portuguesas

Este livro constitui uma referência atual das 57 Raças Autóctones que, sendo oficialmente reconhecidas em Portugal, são objeto de registo em Livro Genealógico, de acordo com critérios específicos. Assim, analisa as diferentes raças de acordo com os aspetos relativos à origem, à área geográfica, ao padrão da raça, à evolução do efetivo, aos sistemas de produção, às características produtivas e reprodutivas e ao desenvolvimento, melhoramento e perspetivas futuras, de forma estruturada por espécie. 

Foram, ainda, reunidos os contributos de algumas personalidades que, no âmbito das respetivas atividades, se destacam em áreas tão diversas como o turismo, a gastronomia, o estilismo, a saúde, a nutrição e a pintura, e que sublinham, a importância da valorização e manutenção das raças autóctones para o desenvolvimento e reconhecimento dos seus talentos.

O Livro de Raças Autóctones Portuguesas constituirá, deste modo, um instrumento para todos os que se interessam não apenas pelas questões do património genético animal, mas também pela sua relação intrínseca com as raízes culturais da sociedade e da economia portuguesa.

Pode consultar mais informação sobre este livro aqui

Notícias sobre o lançamento do Livro Sabores do Ar e do Fogo

Na sequência do primeiro lançamento do Livro Sabores do Ar e do Fogo, e dos anteriores posts que já colocámos no blog, hoje damos-vos conta do lançamento do livro em Lisboa, na sede dos CTT.

Foi com todo o gosto que nos juntámos a mais esta iniciativa de divulgação de um excelente trabalho realizado por Fátima Moura e Mário Cerdeira.

lançamento sabores do ar e do fogoAssim damos-vos a conhecer o artigo sobre o lançamento em Lisboa, elaborado pela autora do livro Fátima Moura.


" O título deste livro é Sabores do Ar e do Fogo, mas não ficaria mal caso se chamasse Era uma vez os três porquinhos e o lobo mau. Efectivamente, os nossos três porquinhos autóctones, Prático (porco de raça alentejana), Heitor (o porco bísaro) e Cícero (o malhado de Alcobaça) estão na base de toda a nossa salsicharia. O terceiro está muito circunscrito, mas quer o porco de raça alentejana, do tronco ibérico, quer o bísaro, do tronco celta, são porcos muito adaptados às respectivas regiões e constituem matéria-prima de grande valia, responsável pela indiscutível qualidade dos enchidos, ensacados e presuntos que encontrei em todo o país ao longo deste trabalho.
A juntar-se à qualidade da matéria-prima suína, este livro fala também do saber-fazer das nossas gentes cuja paixão pela arte salsicheira permanece bem viva em todo o país, como tive oportunidade de constatar ao longo de dois anos em que não saí de fumeiros, sequeiros e câmaras de cura e até meti a mão na massa.
Nele encontrarão ainda um capítulo dedicado ao porco e às comidas da matança como referentes culturais, e um guia dos enchidos de todo o país. Mas este livro é sobretudo uma carta de amor ao porco. Penso que isso será o que mais ressalta na sua leitura.

Temos tesouros salsicheiros em todas as regiões, alguns produzidos em mínimas quantidades. Alguns são completamente desconhecidos fora da sua pequena zona de fabrico, como por exemplo a farinheira de sangue da serra de Monchique, no Algarve, o butelo transmontano ou a farinheira de batata alentejana.

Porém, se estamos então bem fornecidos em matéria porcina, como estamos de lobo mau?

O verdadeiro Lobo Mau da nossa salsicharia, o sopro que poderia provocar a sua destruição progressiva, seria a sua incapacidade de adaptação aos tempos modernos, em matéria de sabor e de saúde. A sua incapacidade de passar da necessidade de conservação ao culto do sabor. 
A nossa salsicharia adaptou-se no fim do século XVIII, princípios de XIX, à incorporação do pimento, sobretudo pelas suas qualidades anti-sépticas, que veio mudar completamente todos os nossos enchidos.
E até se adaptou à travessia do Atlântico para o Brasil: foi com alguma emoção que travei conhecimento o mês passado no estado brasileiro do Rio Grande do Norte com a chamada chouriça, que podem ver nesta fotografia. Trata-se de uma morcela, leva sangue de porco, castanha-de-caju em vez de amêndoa e leite de coco em vez de vinho ou água. E em vez da tripa, a característica latinha do Nordeste, região notória pelo aproveitamento de latinhas e garrafinhas.
Numa época em que em todo o mundo os enchidos e presuntos estão na moda, em que os próprios chefs os fazem nos seus restaurantes, dando-lhes o seu toque pessoal, como este pequeno fumeiro que encontrei sob a escada do restaurante The Clover Club, em Londres,será talvez oportuno pararmos para reflectir um pouco sobre o papel que a salsicharia portuguesa pode ter no mundo. O meu desejo é que este livro possa de alguma forma ser útil para esse debate.
Para comprovar que a nossa salsicharia pode estar presente no mais alto nível em mesas tradicionais e regionais ou em restaurantes com estrela Michelin pedi a colaboração de dois grandes chefs José Júlio Vintém e de Vítor Matos.
Vintém, actualmente residente no Recife onde tem um restaurante (Sardinha) preparou deliciosos pratos tradicionais, como este laburdo das matanças, alguns com apresentação moderna.Vítor Matos (casa da Calçada, Amarante) elevou os enchidos à categoria de produtos de eleição em pratos de recorte moderníssimo como esta sua magnífica recriação do sarrabulho (peito de galinha enrolado em sarrabulho e trufa e cozido em caldo de carnes; espuma do caldo; esferificação inversa de sarrabulho, tiras de toucinho de bísaro)Num universo tão vasto como o da nossa salsicharia há que escolher os produtos mais adequados para fazer essa promoção, há que ser criterioso na escolha do que se deve promover interna ou externamente.

Temos produtos, como os que foram experimentados no lançamento deste livro que ultrapassaram inequívoca definitivamente a prova da passagem da necessidade da conservação ao culto do sabor. Trata-se por exemplo do presunto e enchidos de Barrancos (Barrancarnes, Casa do Porco Preto) e da Bísaro (Gimonde, Trás-os-Montes). Assim queiramos, que temos todas as condições.
O meu obrigada a todos que trabalharam para este livro, em especial ao meu amigo Mário Cerdeira."

Podem ler o artigo na íntegra aqui.



quinta-feira, 27 de junho de 2013

Da Nossa Cozinha: Risotto de alheira

O blogue Da Nossa Cozinha publicou esta semana uma receita que nos deixou cheios de vontade de experimentar: Risotto de Alheira, e que aqui transcrevemos:

risotto de alheira
risotto de alheira

Cá em casa é regra que todos comem o mesmo às refeições - a partir do momento que o Bebé Cozinheiro começou mesmo a comer a "nossa" comida -, não há pedidos especiais. Mas para todas as regras há excepções e de tempos a tempos, quando se justifica, sabe bem quebrá-las.

Ontem foi um desses dias. Passámos grande parte do dia fora, chegámos às 20h00 a casa, era sábado e apetecía-nos um prato diferente, apetecía-nos... Risotto de alheira.
ngredientes:

2 litros de água + água q.b. para cozer a alheira
1 caldo de Knorr de legumes
1 alheira
1 cebola pequena
1 dente de alho
Azeite q.b.
225 g de arroz para risotto
1 copo de vinho branco
Sal e pimenta a gosto
Tomilho q.b.

Preparação:

Começar por preparar o caldo: colocar num tacho ou numa panela em lume alto os 2 litros de água e quando estiver prestes a começar a ferver adicionar o Knorr e deixar cozinhar 5 minutos. Transferir para um bico pequeno com o lume no mínimo, para que o caldo continue quente.

Colocar num tacho em lume alto a alheira submersa em água até ferver, desligar e retirar para um prato. Eu tentei cozinhá-la mais um pouco mais e rebentou. Don't panic! Se acontecer, verter para um escorredor. Retirar a pele e reservar a carne.

Picar bem a cebola e o alho - no meu caso, a cebola não ficou picada como queria, que é das novas e pôs-me a chorar de tal maneira que não via nada - colocar a cebola numa ponta do tacho e os alhos na outra com azeite q.b. para refogarem separadamente em lume médio-alto. Este truque é para o sabor do alho não ficar anulado pelo da cebola. 

Quando a cebola estiver translúcida o alho já deve estar alourado e é quando se juntam os dois e o arroz a seguir. Misturar bem até o arroz estar translúcido.

Adicionar o copo de vinho e mexer com frequência até que seja absorvido. E é aqui que damos uso ao caldo. Para vos dar conta da quantidade de caldo que usei, transferi 5 conchas de sopa para a chávena que usei para o arroz (enchi-a). Coloquei esta primeira chávena de caldo (quente, lembram-se?) no arroz e mexi de vez em quando. Quando absorveu um pouco mais de metade, voltei a adicionar outra chávena cheia de caldo. E ainda levou mais caldo: metade de uma chávena! Pára-se de adicionar caldo quando o arroz já está praticamente cozido (como na foto que se segue). É preciso provar!

Adicionar a alheira, envolver bem e provar novamente, para retificar os temperos, adicionando sal e pimenta q.b. e um pouco de tomilho.
Envolver bem, desligar o lume e servir de imediato, com mais um pouco de tomilho.
E que bem que nos soube! São servidos?

Experimentem esta receita com Alheira de Vinhais IGP da Bísaro | Salsicharia Tradicional.

Da Nossa Cozinha : Risotto de alheira: Cá em casa é regra que todos comem o mesmo às refeições - a partir do momento que o Bebé Cozinheiro começou mesmo a comer a "nossa&qu...