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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Castro Vicente recria tradição da matança do porco na I Feira do Porco Bísaro

A tradição da matança do porco foi recriada este sábado na aldeia de Castro Vicente, no concelho de Mogadouro. A primeira edição da Feira do Porco Bísaro aliou a venda de produtos regionais à recriação desta actividade, que já poucos mantêm. 
Os habitantes de Castro Vicente recordam os tempos em que a matança do porco envolvia praticamente todas as famílias da aldeia. Um dia em que, a par da preparação das carnes, havia tempo para aliar a gastronomia ao convívio. Se os homens tratavam dos trabalhos mais pesados, as mulheres dedicavam-se à lavagem das tripas e à cozinha, como recorda a habitante da aldeia, Regina Alfândega. “As mulheres tratavam do almoço e à tarde lavavam as tripas e bebiam vinho doce. Fazia-se refogado do porco e arroz de couve acompanhado de presunto e salpicão. Era uma tradição muito bonita. Isto faz falta para promover o convívio entre os habitantes da aldeia”, refere a habitante de Castro Vicente. A tradição da matança do porco é mantida essencialmente pelos habitantes mais velhos da aldeia, uma vez que a maioria dos jovens saiu de Castro Vicente em busca de oportunidades de emprego. É o caso de Ricardo Aleixo, de 32 anos, que refere que os jovens estão cada vez mais interessados em regressar às suas origens e reavivar este tipo de tradições, que muitos recordam da sua infância.” Tem-se vindo a verificar que cada vez mais as pessoas regressam às suas origens, não só por necessidade mas também pela vontade de reviver estes eventos regionais”, constata o jovem. O presidente da Junta de Freguesia de Freguesia de Castro Vicente, António Aleixo, explica que esta feira se inspirou na recuperação de uma tradição da aldeia e na exploração de porco bísaro com cerca de 600 animais desta raça, que desde 2010 está instalada na localidade. “ A ideia da feira do porco bísaro surgiu porque temos aqui uma exploração desta raça e porque eu tinha a intenção de fazer uma feira na aldeia. Ainda há muita gente que faz a matança do porco mas já não é como antigamente. Nós queremos fazer tudo como antigamente, por isso até temos a fogueira e os potes para cozinhar ao lume”, salienta o autarca. A I Feira de Porco Bísaro de Castro Vicente contou com a presença de dez expositores locais e além da recriação da matança do porco, recriou também o tradicional mata-bicho, que substituía o pequeno-almoço e era composto por figos secos, enchidos e aguardente. Escrito por Brigantia. 

Notícia original: Brigantia

1ª feira do porco bísaro em Castro Vicente

Decorreu no passado fim-de-semana a 1ª feira do porco bísaro em Castro Vicente, Mogadouro.
A Bísaro - Salsicharia Tradicional apoiou e participou neste evento e dá os parabéns ao Município de Mogadouro e à Junta de Freguesia de Castro Vicente pela excelente iniciativa.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A tradicional matança do porco, volta a ser autorizada, para autoconsumo


O novo ano, trás novidades legislativas, relativamente à tradicional matança do porco:

O Despacho n.º 14535-A/2013, publicado a 11 de Novembro de 2013, entrou em vigor a 1 de janeiro de 2014. Através deste despacho, é autorizada a matança de animais fora dos estabelecimentos aprovados para este fim. O ponto 2 deste despacho, refere:

"É autorizada a matança para autoconsumo de bovinos, ovinos e caprinos com idade inferior a 12 meses, de suínos, aves de capoeira e coelhos domésticos, desde que as carnes obtidas se destinem exclusiva- mente ao consumo doméstico do respetivo produtor, bem como do seu agregado familiar, e sejam respeitadas as seguintes condições(...)" 


matança do porco
Matança Tradicional do porco na Quinta das Covas























Já o ponto 4, do mesmo despacho, refere que:

" É autorizada a matança tradicional de suíno, organizada por entidades públicas ou privadas, desde que as carnes se destinem a ser consumidas em eventos ocasionais, mostras gastronómicas ou de caráter cultural, respeitando as seguintes condições: 

a) A matança tradicional deve ser realizada nas condições defini- das nas disposições conjugadas do Regulamento (CE) n.o 1099/2009, do Conselho, de 24 de setembro, e do Decreto-Lei n.o 28/96, de 2 de abril, relativos à proteção dos animais de abate, quanto à contenção, atordoamento, sangria e demais disposições aplicáveis; 

b) Na realização da matança devem ser cumpridas as regras estabe- lecidas no Regulamento (CE) n.o 1069/2009, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 21 de outubro, no Regulamento (CE) n.o 142/2011, da Comissão, de 25 de fevereiro de 2011, e no Decreto-Lei n.o 122/2006, de 27 de junho, no que se refere à eliminação de subprodutos de origem animal não destinados ao consumo humano; 

c) Só podem ser abatidos animais que se encontrem identificados nos termos da legislação vigente e que sejam provenientes de efetivos que não estejam sujeitos a restrições sanitárias, devendo ser sempre assegurada a rastreabilidade dos animais; 

d) É obrigatória a inspeção higio-sanitária, ante e post mortem, dos suínos, cabendo aos organizadores da matança requerer, com a ante- cedência mínima de sete dias, a presença do médico veterinário mu- nicipal, sendo imputado aos requerentes o custo inerente à inspeção higio-sanitária; 

e) Cabe aos médicos veterinários municipais pronunciar-se sobre o local da matança, aprovar as carnes resultantes desta matança tradicional para consumo, mediante exame ante e post mortem, podendo proceder à colheita de amostras destinadas à pesquisa de Triquinella spiralis, bem como de outras amostras consideradas necessárias; 

f) Não será realizada pesquisa de Triquinella spiralis sempre que a organização do evento apresente uma declaração dos serviços veteriná- rios da área de geográfica do local da matança, que ateste a existência de medidas de biossegurança na exploração, adequadas para a prevenção da triquinelose suína, bem como a inexistência de resultados positivos em animais provenientes da exploração em causa; 

g) É proibida a comercialização ou a cedência das carnes obtidas nesta matança a terceiros que não participem no evento; 

h) As carnes resultantes da matança não são sujeitas a qualquer mar- cação de salubridade, de identificação ou classificação de carcaças; i) As carnes que não sejam consumidas durante o evento devem ser encaminhadas como subprodutos nos termos do Regulamento (CE) n.o 1069/2009, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 21 de outubro, e do Regulamento (CE) n.o 142/2011, da Comissão, de 25 de fevereiro de 2011.

Pode aceder ao documento na íntegra aqui.

Está assim, finalmente recuperada a autorização para a manutenção de algumas tradições, tais como a realização de eventos ocasionais, mostras gastronómicas ou de carácter cultural para a manutenção de tradições rurais, como a matança tradicional do porco, etc.

domingo, 28 de abril de 2013

Carne para todos os gostos


A tradição ainda é o que era lá para os lados de Gimonde, onde a matança do porco reuniu dezenas de apreciadores.



Eram oito da manhã e a temperatura marcava uns estonteantes cinco graus negativos. A viagem de Bragança a Gimonde foi prolongada pelo gelo que se encontrava dissimulado na estrada. Depois, até à Quinta das Covas, foi um saltinho, apesar das curvas estreitas e sinuosas após se tomar o desvio. A acompanhar a vista, movia-se uma paisagem branqueada pela geada e pelo frio de cortar a respiração. 
Alberto Fernandes foi o primeiro a chegar e os restantes convivas começariam a chegar a conta gotas, fazendo-se antever uma manhã bem comprida, até porque o frio gelava até os mais resistentes que, ao chegarem, iam procurando o conforto de duas lareiras que demoravam em brotar calor.
Com cerca de 25 elementos prontos para a matança, o porco não tardou em dar um ar da sua graça. Criado no campo, com cerca de 90 quilos, o animal estava relutante em sair do atrelado, como se adivinhasse o futuro fatídico que lhe estava destinado naquela manhã típica de Inverno transmontano.

Edição de 17-01-2012